Agora que o Mestre das Marionetes chegou,já se vê uma ligação com o filme de Ghost in the Shell dos anos 90,mas dá pra ver a clara diferença entre um e outro,enquanto no filme o tom é bem mais sério,deprimente e melancólico,aqui no anime,pode se dizer que está bem normal,com pitadas de humor,de vez em quando…
Talvez uma das coisas que mais me impressionam em Masamune Shirow seja entender que a importância de um artista não está apenas na capacidade de criar uma boa história, mas na capacidade de colocar novas possibilidades dentro da cabeça das pessoas.
Ghost in the Shell faz isso o tempo inteiro.
Shirow pega conceitos como inteligência artificial, consciência, redes, memória, identidade e evolução e transforma tudo isso em matéria-prima para o pensamento. Você começa assistindo a uma investigação policial e termina se perguntando o que significa estar vivo, onde começa uma consciência e se o ser humano é realmente o estágio final da inteligência.
E isso tem uma importância civilizatória que às vezes esquecemos.
Quando uma pessoa entra em contato com ideias novas, o espaço mental dela aumenta. Ela passa a conseguir imaginar coisas que antes nem faziam parte do seu universo de possibilidades. A arte pode fazer isso. A ficção pode fazer isso. Um artista pode, literalmente, fornecer material para uma sociedade construir pessoas capazes de pensar além das condições em que nasceram.
É justamente por isso que sinto uma certa pobreza na nossa produção cultural brasileira quando comparo com obras como Ghost in the Shell. Não porque faltem brasileiros inteligentes ou artistas talentosos, mas porque parece faltar uma quantidade maior de obras dispostas a perguntar: o que vem depois do humano?
Muitas vezes nossa cultura parece girar em torno do ciclo mais básico da existência do primata:
Evidentemente, esses temas fazem parte da vida e não há nada de errado em falar sobre eles. O problema começa quando a imaginação de uma sociedade não consegue ultrapassar esse horizonte.
Shirow ultrapassa.
Ele olha para o primata e pergunta o que acontece quando ele cria máquinas que pensam, redes que armazenam sua memória e tecnologias capazes de modificar seu próprio corpo. Pergunta se a consciência pode existir fora da biologia. Pergunta se uma nova forma de vida pode surgir da própria rede.
Isso não é apenas ficção científica.
É uma forma de treinamento da imaginação.
Talvez seja disso que mais precisamos: artistas que não apenas representem a sociedade que existe, mas que forneçam às pessoas material intelectual para imaginar sociedades, formas de consciência e possibilidades de existência que ainda não existem.
Porque uma sociedade não expande sua mente apenas através da educação formal. Ela também se expande através das coisas que consegue imaginar.
E é por isso que artistas como Shirow são tão importantes.
Deus existe!
segue o baile….
Agora que o Mestre das Marionetes chegou,já se vê uma ligação com o filme de Ghost in the Shell dos anos 90,mas dá pra ver a clara diferença entre um e outro,enquanto no filme o tom é bem mais sério,deprimente e melancólico,aqui no anime,pode se dizer que está bem normal,com pitadas de humor,de vez em quando…
Talvez uma das coisas que mais me impressionam em Masamune Shirow seja entender que a importância de um artista não está apenas na capacidade de criar uma boa história, mas na capacidade de colocar novas possibilidades dentro da cabeça das pessoas.
Ghost in the Shell faz isso o tempo inteiro.
Shirow pega conceitos como inteligência artificial, consciência, redes, memória, identidade e evolução e transforma tudo isso em matéria-prima para o pensamento. Você começa assistindo a uma investigação policial e termina se perguntando o que significa estar vivo, onde começa uma consciência e se o ser humano é realmente o estágio final da inteligência.
E isso tem uma importância civilizatória que às vezes esquecemos.
Quando uma pessoa entra em contato com ideias novas, o espaço mental dela aumenta. Ela passa a conseguir imaginar coisas que antes nem faziam parte do seu universo de possibilidades. A arte pode fazer isso. A ficção pode fazer isso. Um artista pode, literalmente, fornecer material para uma sociedade construir pessoas capazes de pensar além das condições em que nasceram.
É justamente por isso que sinto uma certa pobreza na nossa produção cultural brasileira quando comparo com obras como Ghost in the Shell. Não porque faltem brasileiros inteligentes ou artistas talentosos, mas porque parece faltar uma quantidade maior de obras dispostas a perguntar: o que vem depois do humano?
Muitas vezes nossa cultura parece girar em torno do ciclo mais básico da existência do primata:
nascer → crescer → trabalhar → consumir → reproduzir → envelhecer → morrer.
Evidentemente, esses temas fazem parte da vida e não há nada de errado em falar sobre eles. O problema começa quando a imaginação de uma sociedade não consegue ultrapassar esse horizonte.
Shirow ultrapassa.
Ele olha para o primata e pergunta o que acontece quando ele cria máquinas que pensam, redes que armazenam sua memória e tecnologias capazes de modificar seu próprio corpo. Pergunta se a consciência pode existir fora da biologia. Pergunta se uma nova forma de vida pode surgir da própria rede.
Isso não é apenas ficção científica.
É uma forma de treinamento da imaginação.
Talvez seja disso que mais precisamos: artistas que não apenas representem a sociedade que existe, mas que forneçam às pessoas material intelectual para imaginar sociedades, formas de consciência e possibilidades de existência que ainda não existem.
Porque uma sociedade não expande sua mente apenas através da educação formal. Ela também se expande através das coisas que consegue imaginar.
E é por isso que artistas como Shirow são tão importantes.